Agrovila Vertical Urbana

Um modelo de habitação produtiva que adapta edifícios comerciais vazios em agrovilas urbanas — moradia, cultivo e circulação empilhados num mesmo edifício. Alinhado à Agenda 2030 (ODS 11, 7, 13 e 17).

Agrovila Vertical Urbana — Praia de Copacabana
Agrovila Vertical Urbana — estudo preliminar sobre a orla de Copacabana, com a silhueta dos morros do Rio. Desenho da autora, 2016.

O problema

Edifícios vazios num país que precisa de moradia e alimento

O Rio de Janeiro possui hoje um dos maiores estoques de imóveis comerciais vazios do país. A crise pós-pandemia acelerou um processo que já vinha desde 2016: o esvaziamento do Centro e da orla, com a migração do trabalho presencial para o remoto e a retração do comércio tradicional.

Ao mesmo tempo, a cidade enfrenta déficit habitacional crônico e uma dependência crescente de alimentos produzidos fora do estado. São dois problemas que raramente se pensam juntos — e que este projeto propõe resolver de forma integrada.

40 mil
Imóveis comerciais vazios no Rio de Janeiro
3,06%
Taxa de desocupação comercial pós-pandemia (2020)
4 em 10
Imóveis comerciais vazios após as Olimpíadas

A proposta

Transformação parcial de uso, não demolição

A Agrovila Vertical Urbana parte do princípio inverso ao da arquitetura visionária tradicional: em vez de imaginar cidades novas, propõe adaptar os edifícios que o Rio já tem — e que hoje estão vazios — em estruturas produtivas e habitadas.

Não se trata de demolir, nem de construir do zero. Trata-se de transformação parcial de uso: os pavimentos inferiores mantêm comércio e serviços; os pavimentos superiores são convertidos em moradia com terraços cultiváveis. Cada unidade recebe uma área externa plantável, com irrigação integrada e captação própria de águas pluviais.

Agrovila Vertical Urbana — Av. Presidente Vargas
Estudo preliminar sobre a Av. Presidente Vargas, Centro do Rio — com a Candelária preservada ao fundo e a transformação parcial de uso indicada à direita. Desenho da autora, 2016.
Princípio: a Agrovila não compete com o edifício existente — dialoga com ele. A estrutura, a fachada e a implantação são preservadas. O que muda é o uso e a relação com o território.

Como funciona

Quatro sistemas integrados

Produção agrícola

Terraços cultiváveis em cada unidade, com hortas verticais, compostagem e irrigação por gotejamento. Produção orgânica de hortaliças, ervas e pequenos frutos para consumo próprio e venda em feira interna.

Energia fotovoltaica

Cobertura e fachadas voltadas ao sol recebem painéis fotovoltaicos. A geração alimenta as áreas comuns, a irrigação e o sistema de bombas, com excedente destinado à rede pública.

Águas pluviais — Aquakit

Sistema de captação, reserva, filtragem e reuso de águas pluviais (patente INPI PI 0404379-0). A água da chuva é armazenada e reutilizada na irrigação dos terraços, nas descargas e na limpeza das áreas comuns.

Biodigestores e resíduos

Resíduos orgânicos dos cultivos e das unidades alimentam biodigestores, gerando biogás para cozinhas comunitárias e biofertilizante para as hortas. Ciclo fechado de matéria orgânica.

Uma ideia com cem anos

A Agrovila não inventa — atualiza

A proposta de morar com jardins verticais e produzir alimento no próprio edifício não nasceu agora. Ela atravessa um século de arquitetura — e a Agrovila Vertical Urbana é o próximo capítulo dessa linhagem.

Le Corbusier — Immeubles Villas 1922

1922 · Le Corbusier

Immeubles Villas

Le Corbusier desenha edifícios com jardins independentes por unidade habitacional — duplex com terraço-jardim privativo. O embrião da ideia de moradia vertical com área externa plantável.

Cesare Marchetti — Fazenda Vertical 1979

1979 · Cesare Marchetti

Fazenda Vertical

O físico italiano publica o conceito de agricultura em camadas verticais — muito antes do termo "vertical farming" se popularizar. A base científica da produção agrícola em altura.

Luca Curci — The Link

2023 · Luca Curci

The Link

Cidade-floresta conceitual para 200 mil pessoas, com torres cobertas de vegetação, mobilidade por drones e autossuficiência energética. Referência contemporânea — visionária, mas de escala e contexto distantes da realidade brasileira.

Agrovila Vertical Urbana

2016 · Ingrid Guimarães Leitão

Agrovila Vertical Urbana

A proposta brasileira: em vez de imaginar cidades novas, adaptar os edifícios que o Rio já tem. Começa pelo que existe — e transforma um a um, com contexto, custo e escala viáveis.

Agenda 2030

Quatro ODS integrados

A Agrovila Vertical Urbana dialoga diretamente com quatro Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU — não como discurso, mas como consequência do desenho:

11
Cidades e comunidades sustentáveis
7
Energia limpa e acessível
13
Ação contra a mudança global do clima
17
Parcerias e meios de implementação

Apresentações

Onde o projeto foi apresentado

  • PolObs — Universidade do Minho (Portugal), 2024
  • 6º NUPPAA / INCT-PPED, 2024
  • CBAE-UFRJ — Colégio Brasileiro de Altos Estudos, 2024
  • Evento "Cidades e Comunidades Sustentáveis: Projetos da Agenda 2030 no Brasil" — como representante do Rio de Janeiro, 2024
Cartaz do evento Agenda 2030 no Brasil
Cartaz do evento "Cidades e Comunidades Sustentáveis: Projetos da Agenda 2030 no Brasil", onde a Agrovila Vertical Urbana representou o Rio de Janeiro.

Contato

Interessado em viabilizar uma Agrovila?

O projeto está aberto a parcerias com incorporadoras, poder público, universidades e investidores de impacto. Para conhecer a proposta completa, estudos preliminares e viabilidade, entre em contato.